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Rossana Gouvêa

A Importância da Cientificidade nos Trabalhos de Motivação Desenvolvidos em Equipes Esportivas: Uma Visão Psicológica 

A motivação é um assunto bastante debatido nos dias de hoje. Virou moda fazer palestras, vídeos, passar mensagens com cunho motivacional a atletas em agremiações a diversas modalidades esportivas. Como se a motivação fosse algo externo, como se fosse uma "injeção" necessária a finais de campeonato e jogos considerados importantes. Mas afinal, todas as pessoas estão aptas a "motivar" alguém? Todos os atletas e equipes necessitam de motivação? E o que vem a ser a motivação em si?

De acordo com Weinberg e Gould (2008) a motivação é definida como a direção e a intensidade de nossos esforços para alcançar um objetivo (o esforço para participar de determinada atividade é um exemplo). E se diferencia em motivação intrínseca (ou interna. Voltada para satisfazer uma vontade própria) e extrínseca (caracterizada por recompensas externas, como troféus,  medalhas, aplausos, dinheiro, prêmios, etc.). O objetivo desse texto não é adentrar na teoria, com uma riqueza de detalhes  (que são de suma importância e valem como leituras complementares),  e sim entender o cuidado que se deve ter acerca dessa prática. 

No que concerne a motivação, de onde ela vem?

O ato de estar motivado é particular e individual. Cada indivíduo possui um padrão único que é desenvolvido ao longo da vida através de experiências, vivências e reforços que o atleta recebe. Essas características vão se moldando. E esta é a chave para a realização de conquistas, e posteriormente, o que se pode chamar de sucesso (Tamara Lowe, 2009).

Diversos fatores precisam ser levados em consideração antes da realização de qualquer trabalho motivacional. Algumas pessoas são mais motivadas do que outras, o que se caracteriza como sucesso para uns,  pode ser fracasso para outros e todas essas divergências necessitam de um profissional apto a entender e desmistificar cada uma dessas nuances, a fim de controlar qualquer efeito adverso  às emoções desencadeadas por ele. 

Antes de realizar qualquer intervenção no âmbito esportivo, como em qualquer área científica,  se faz necessária a coleta de dados e aplicação  de testes e avaliações  (como o Questionário de Motivação,  entrevistas, auto-informes, entre outros) no intuito de compreender cada atleta. Esses instrumentos dão o respaldo à observação do psicólogo em treinos e competições. A partir de cada um desses resultados, o avaliador interpreta cada um deles e só então escolhe um método que auxilie o atleta ou a equipe em questão  a alcançar êxito na tarefa. Por mais estranho que possa parecer não se motiva ninguém.  O que existe na verdade é um trabalho contínuo com determinada modalidade ou atleta para o alcance de suas potencialidades.

O contato direto com outras áreas envolvidas no âmbito esportivo também é de extrema importância visando a interdisciplinaridade, na busca do entendimento desse atleta inserido em um contexto.

Vale lembrar que crenças,  atitudes, valores, conhecimentos e experiências anteriores do atleta também devem ser levadas em consideração, com o objetivo de entender como funciona esse indivíduo como um todo. (Roberts Spink e Pemberton, 1986).

Somente o psicólogo está apto a realizar trabalhos motivacionais? Não necessariamente.  A maior crítica com relação a motivação por uma pessoa considerada leiga no assunto é a falta de rigor científico. Visto que prática  precisa estar atrelada à teoria, a escassez de estudos acerca da tarefa ou exercício realizado, é o que ocasiona tantas críticas.  Por esse motivo é necessário que o profissional esteja qualificado. 

A motivação é uma das habilidades psicológicas mais importantes. Já que se trata de um processo ativo dirigido a um objetivo, que determina o grau de desenvolvimento do atleta e da comissão técnica na ação.  Sendo assim, é preciso muito cuidado, pois o uso inadequado de técnicas motivacionais sem conhecimento científico e a capacidade necessária para controlar de maneira científica os efeitos emocionais advindos pode causar ansiedade, ativação excessiva, e descontrole,  prejudicando as respostas automáticas e comprometendo todo um planejamento de trabalho (Samulski, 2009).

Referências 

Lacerda, A.,  Medeiros, C., "Psicologia e Esporte na Atualidade. Reflexões Necessárias ". Rio de Janeiro: Pasavento, 2017.

Lowe, T., "Super Motivado", Rio de Janeiro : Ediouro, 2010

Samulski, D., "Psicologia do Esporte ". São Paulo: Manolo, 2009.

Weinberg; Gold, "Fundamentos da Psicologia e do Exercício ", 4a Edição. São Paulo, Artmed, 2008.

Rossana Gouvêa 

Graduada pela Universidade Veiga de Almeida (2012). 

Atualmente uma das psicólogas das categorias de base do Fluminense Football Clube  e psicóloga clínica com abordagem cognitivo-comportamental.

Atuou na CBDA como Psicóloga da Seleção Brasileira de Nado Sincronizado. 

Participou do artigo no XVI Congresso Brasileiro e XI Congresso Internacional de Psicologia e Exercício do Esporte (CONBIPE) com o tema: Ansiedade e Estados de Humor Pré Competitivos em Atletas de Nado Sincronizado. Um estudo Longitudinal. Foi monitora da disciplina “Psicologia e Esporte” na Universidade Veiga de Almeida. Atuou em grandes clubes como Clube de Regatas do Flamengo e Botafogo Futebol e Regatas . 



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