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Camila Salustiano

Respeito: Contribuições da Psicologia do Esporte ao Desenvolvimento de Valores Humanos

Há um tempo pude participar de um torneio de futevôlei com os mais conceituados atletas da modalidade. Junto com muitos deles, seus filhos os acompanhavam. Observar uma rede só com crianças jogando me deixou muito feliz, a princípio. Porém, o esporte por si só não traz disciplina e educação para a criança, o que auxilia esse processo é o conjunto de profissionais envolvidos com a prática.

Ao longo do torneio, pude perceber algumas crianças bem novas (menos de 10 anos), que debochavam e desrespeitavam outras pessoas. E mais, pude presenciar a cena de um pai falando para o seu filho no meio do jogo: “vai lá, esmaga a cara dela, saca só no gogó dela, sem pena, pode só dar porrada pra ferrar com ela mesmo” (sic), ao mesmo tempo em que sorria, achando graça e sentindo orgulho do que estava passando para o seu filho. Sem contar na questão da violência contra a mulher, já que a adversária era uma menina, olha que grave o comportamento que o pai estava influenciando em seu filho (menino). Era um atleta da “série A” nessa modalidade, dando um exemplo de arrogância e falta de respeito não só para com o seu adversário, mas para com o seu próximo. 

Passei um tempo a observar aquelas crianças em suas conversas e na “redinha” que havia para ficarem brincando. Se chegasse alguém que não soubesse jogar direito, elas debochavam, xingavam e “mandavam” sair dali. Até mesmo pude ouvir uma das crianças falando: “meu pai é fulano de tal, então, eu faço o que quiser...” (sic). Os primeiros modelos de vida são os pais/cuidadores, se em algum momento a criança presenciar esse modelo tendo atitudes ou falas disfuncionais, a chance de ela repetir esses comportamentos é enorme (Papalia, 2013). 

Sem generalizações, apenas uma experiência vivida que me fez refletir acerca do tema e discutir sobre ele. Afinal, a Psicologia do Esporte tanto trabalha valores, competências e habilidades e desenvolvimentos pessoal e emocional, entre outros. Portanto, observar todo esse funcionamento de alguns poucos atletas e seus filhos em um torneio de uma modalidade que tem pouco investimento e praticamente nenhum trabalho de Psicologia, nos mostra como podemos e devemos nos inserir em qualquer contexto esportivo.

REFERÊNCIAS

PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2013.

Camila Salustiano

Graduada em Psicologia (UVA)

Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental na Infância e Adolescência (InTCC)

Formação em Psicologia do Esporte (CEPPE)

Formação em Dependência Química (Núcleo Integrado)

Formação no método Growing Up de psicomotricidade (Móbile Infantil)

Diretoria ASSOPERJ

Psicóloga Clínica e do Esporte




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