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Larissa Maria Carlos da Silva

Racismo no esporte e os impactos na saúde mental do(a) atleta

Casos de intolerância têm sido cada vez mais recorrentes no esporte brasileiro e mundial. O último destacado pela mídia ocorreu no exterior, quando o jogador de futebol Moussa Marega, do Porto foi ofendido por xingamentos racistas em uma partida contra o Vitória de Guimarães, além de ter sido punido com cartão amarelo por ter provocado a torcida que estava o ofendendo. Devido ao fato, acabou deixando o campo. 

Segundo Silva et al (2016), o fenômeno da escravidão e a consequente exclusão social que sofre o negro culminaram em ações que têm o intuito de abalar sua honra e segregar a participação desse público em espaços sociais e de exercício de poder. 

O esporte pode ser considerado um grande propulsor social do indivíduo negro, no entanto a sua trajetória para inserir-se nesse universo é marcada pelo racismo. Muitos(as) esportistas negros(as), pelo menos no Brasil, são oriundos(as) de comunidades e têm em sua história de vida a resistência como um pilar de sobrevivência na sociedade. Ao mesmo tempo que vemos o cunho social do esporte, onde é possível resgatar jovens que estão à margem da sociedade levando projetos sociais para as comunidades, como é o caso da Vila Olímpica da Mangueira. Podemos observar a outra face onde o esporte é visto como um produto de consumo transformado em espetáculo, e é neste espaço de exposição pública do referido fenômeno de massa que assistimos aos tristes casos de racismo. 

As diferenças raciais e étnicas tem sido um fator desencadeante dos sintomas de ansiedade e depressão, além disso, há a desigualdade no acesso aos cuidados em saúde mental a esses grupos minoritários (OLIVEIRA; MAGNAVITA; DE OLIVEIRA, 2017). O ambiente do esporte, por si só, exige que o(a) atleta performe em alto nível, inclusive com relação aos aspectos emocionais. No entanto, os(as) esportistas negros(as) que sofrem com o racismo ou qualquer outro tipo de intolerância durante a sua prática esportiva podem estar mais propensos(as) a ter seu rendimento esportivo comprometido, gerando então uma demanda para a psicologia do esporte. 

 Esta necessidade precisa ser debatida e combatida pois o esquecimento e a não discussão da temática gera um ambiente de impunidade no que diz respeito a conflitos raciais e sociais no âmbito esportivo.  Até quando veremos casos como o citado no início do texto, onde a vítima é punida e o agressor sai impune? Qual a nossa responsabilidade como profissionais da saúde mental nesses casos? A Psicologia do Esporte é a ciência que visa promover saúde emocional e otimizar a performance dos praticantes de atividades físicas e atletas. A partir do momento em que um(a) atleta é vítima de racismo, este sofrimento precisa ser acolhido por nós psicólogos(as) do esporte. 

Referências bibliográficas 

OLIVEIRA-RAMOS, D; MAGNAVITA, P; DE OLIVEIRA, F. Aspectos sociocognitivos como eventos estressantes na saúde mental em grupos étnicos e minoritários no Brasil. In: Summa Psicológica UST, 2017, Vol. 14, Nº 1, 43-55.

SILVA, L. et al. Aspectos relevantes sobre o racismo e a injúria racial no esporte: caminhos de desconstrução. In: Rede-A, 2016, Vol. 6, Nº 1.

Larissa Maria Carlos da Silva (CRP 05/57026)

Formação em Psicologia do Esporte e do Exercício (CEPPE e APPEE)

Pós- graduanda em Terapia Cognitivo- Comportamental (PUC-RIO)

Formanda em Terapia do Esquema (WAINER)

Psicóloga da Categoria Sub 16 e Sub 17 do futebol de base do C. R. Vasco da Gama

Membro da gestão 2019/2021 da ASSOPERJ



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